quarta-feira, 20 de maio de 2015

Conceituação x Realidade


Um pensar particular relativo ao conceito de educação e o que realmente temos visto nos dias de hoje.

As palavras possuem seus conceitos, definições.
Algumas vezes a realidade não evidência de modo fidedigno tais conceitos, gerando certos incômodos pessoais e até mesmo sociais.
Uma delas é o conceito de Educação.

Educar, no sentido mais amplo, significa “o meio em que os hábitos, costumes e valores de uma comunidade são transferidos de uma geração para a geração seguinte.”
Para tanto, ela se desenvolve nas situações presenciadas e experiências vividas por cada indivíduo ao longo da sua vida.

Educação não é adestramento.
O homem é capaz de elaborar, modificar, ou seja, é racional e desenvolve a linguagem (em todas suas formas).
Por isso que o processo ensino e aprendizagem deve compreender o indivíduo como esse ser racional que precisa ser educado para que seja efetivamente constituído o Ser Humano, o verdadeiro cidadão.

Mas o que temos visto hodiernamente na sociedade é uma progressão de hábitos, costumes e valores que têm sido deteriorados.
A moral e a ética têm tido suas bases, tanto culturais quanto acadêmicas, abaladas de modo incisivo.
E isso tem conferido o que podemos dizer ser uma “falta de educação” em certas relações sociais do homem ante aos outros e às situações da vida.

Temos educado nossos filhos?

Têm eles recebido realmente educação nas instituições educacionais que frequentam?

E mais, têm eles sido educados nas instituições religiosas que estejam participando?

Tem realmente o pedagogo/professor compreendido sua missão, independente dos revezes que se apresentam no exercício de sua profissão?

São questionamentos que devem ser considerados na pedagogia, pois ela "é o campo do conhecimento científico referente à teoria e à prática educativa, sendo constituída por saberes especializados e autonomamente estabelecidos, os quais são necessários ter-se em conta para enfrentar a complexidade dos fenômenos educativos. (Introdução aos estudos de gestão e política nos espaços educativos. Editora Pearson Prentice Hall, 2011. São Paulo, SP, p. 5.)

Ou seja, é na pedagogia que respostas podem ser formuladas e, a partir delas, direcionadas as ações para que haja o devido encaminhamento da educação nas instituições educacionais.

Isso é um processo contínuo.
Pois o ser humano está em constante evolução desde o seu nascimento, tanto nas suas faculdades físicas, quanto intelectuais, morais e sociais.
Quando “bem educado” melhor se integra à sociedade.

Da minha infância e adolescência posso elencar várias situações e relações que comprovam o valor de uma verdadeira educação, pois tive pais e professores que souberam exercer de modo eficiente seus papeis, não levando em consideração as dificuldades inerentes à minha pessoa como um todo (personalidade, deficiência de aprendizagem e outros), como também às dificuldades inerentes às políticas educacionais e salariais.
Revendo tal período da minha vida, percebo que os professores que mais marcaram minhas memórias não têm a ver com português e literatura, que são áreas que hoje me atraem, por ser uma leitora, com prazer, e por procurar expor meus pensamentos em palavras escritas.

Paro e fico pensando sobre isso...

Acho interessante perceber que mesmo tendo sido exitosa nessas disciplinas, os que a lecionaram nunca me fizeram ir além do que ensinavam e, por isso, não foram tão marcantes.
Já os outros, me instigavam a mais, sempre me mostravam que o saber é para ser buscado como um tesouro precioso e que eles estavam me dando o mapa para encontra-lo.
Devo a eles esse meu desejo ainda latente em relação ao saber mais.

Sei que o professor brasileiro é desmerecido.
Mas como pedagogo deve questionar de onde parte tal desmerecimento e buscar por meio de sua atuação modificar a realidade que ora se apresenta.

Ao falar sobre pedagogos, Platão uma vez disse: “São muitos os que usam a régua, mas poucos os inspirados.”

Que possamos buscar nossa inspiração na alegria sentida ao se ver o sucesso do próximo, com os quais temos o privilégio de em uma fase de suas vidas (infância ou adolescência) educar em uma das tantas matérias curriculares que se apresentam e, por meio delas, dar-lhes uma base sólida que se evidencia em atitudes morais e éticas de um caráter bem formado.

Afinal, a educação “é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida.”, como bem disse John Dewey.


Ana Paula Pinheiro de Oliveira
   (outubro de 2013)




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